O sol bateu-me no rosto
O vento quis empurrar-me
E a chuva molhou-me aos poucos
Brincadeiras de mau gosto
Com seu motivo de alarme
Para eu me livrar de loucos
O sol queimou as searas
O vento arrasou pinheiros
E a chuva alagou a terra
Turvaram as águas claras
Só vejo tristes madeiros
Tenho que fugir da serra
Fiquei sem o meu rebanho
Perdi o meu belo arado
Tombou meu lindo moínho
E em busca dum mundo estranho
Levo o meu duro cajado
Para me abrir o caminho
No meu saco de lembranças
Levo sorrisos, esperanças
Duma ingénua mocidade
E ao despedir-me depois
Um velho carro de bois
Carrega a minha saudade.
Frederico de Brito
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Talvez Por Acaso
Tu dizes que a culpa é minha
Eu acho que a culpa é tua
E vamos ficando assim
Até que um dia à tardinha
Por acaso numa rua
Tu hás-de passar por mim
Com rancor e azedume
Sem razão e sem emenda
Talvez a gente se insulte
Ou então, contra o costume
Talvez a gente se entenda
E o caso resulte
Por acaso, sem querer
Quem sabe se é dessa vez
Que nós fazemos as pazes
Possa o acaso fazer
O que a saudade não fez
E nós não fomos capazes
A vida dá-nos sinais
Quanto mais o tempo passa
De que o amor tem um prazo
Por isso nunca é demais
O que quer que a gente faça
Para provocar o acaso.
Manuela de Freitas
Eu acho que a culpa é tua
E vamos ficando assim
Até que um dia à tardinha
Por acaso numa rua
Tu hás-de passar por mim
Com rancor e azedume
Sem razão e sem emenda
Talvez a gente se insulte
Ou então, contra o costume
Talvez a gente se entenda
E o caso resulte
Por acaso, sem querer
Quem sabe se é dessa vez
Que nós fazemos as pazes
Possa o acaso fazer
O que a saudade não fez
E nós não fomos capazes
A vida dá-nos sinais
Quanto mais o tempo passa
De que o amor tem um prazo
Por isso nunca é demais
O que quer que a gente faça
Para provocar o acaso.
Manuela de Freitas
A Tua Sorte
Partiste num dia de tempestade
Deixando apenas por lembrança
Aquela meiga e terna saudade
Que nasce quando morre a esperança
Memórias, não sei onde as guardaste
Em mim não ficou nem uma história
Tudo o que fizemos, em vão levaste,
Talvez para construir a tua glória
Pois tudo o que foi nosso, que seja teu
Para mim, afinal, já nada importa
Em mim não deixaste nada de meu
Não voltes a bater à minha porta
Lágrimas - também não irei chorar
A saudade em mim tem o fim da morte
E se hoje continuo a cantar
É porque não me entreguei à tua sorte.
Deixando apenas por lembrança
Aquela meiga e terna saudade
Que nasce quando morre a esperança
Memórias, não sei onde as guardaste
Em mim não ficou nem uma história
Tudo o que fizemos, em vão levaste,
Talvez para construir a tua glória
Pois tudo o que foi nosso, que seja teu
Para mim, afinal, já nada importa
Em mim não deixaste nada de meu
Não voltes a bater à minha porta
Lágrimas - também não irei chorar
A saudade em mim tem o fim da morte
E se hoje continuo a cantar
É porque não me entreguei à tua sorte.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Mãos Desencontradas
Na memória não me escondas
Ouve a grandeza das ondas
Que por nós foram quebradas
Naufragámos sem passado
Nesse encontro desejado
Entre as mãos desencontradas
Se a lembrança nos condena
Se por nós não vale a pena
Mais alguém ficar ausente
Sem pecado e sem demora
Esqueceremos vida fora
Tudo aquilo que é presente
Numa noite cega e fria
Quando a chuva esquece o dia
E a madrugada é constante
Junto a quem nunca perdi
Hoje sei que não esqueci
Quem de mim ficou distante.
Aldina Duarte
Ouve a grandeza das ondas
Que por nós foram quebradas
Naufragámos sem passado
Nesse encontro desejado
Entre as mãos desencontradas
Se a lembrança nos condena
Se por nós não vale a pena
Mais alguém ficar ausente
Sem pecado e sem demora
Esqueceremos vida fora
Tudo aquilo que é presente
Numa noite cega e fria
Quando a chuva esquece o dia
E a madrugada é constante
Junto a quem nunca perdi
Hoje sei que não esqueci
Quem de mim ficou distante.
Aldina Duarte
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Quando Vieres Logo À Noite
quando vieres logo à noite
rosto aberto e desejado
embora não vendas tudo
ao coração sem mercado
adianta-me o silêncio
que faz brisa ao pé do mar
para eu estar prevenido
quando o silêncio chegar
depois na feira dos olhos
que tanta poeira fazem
como quem vende bondade
às sombras da vadiagem
adianta-me a tristeza
sob as tranças do luar
para eu estar prevenido
quando a tristeza chegar
e se puseres tuas mãos
nesta varanda inquieta
de tanto ouvir a distância
das palavras do poeta
adianta-me a saudade
do teu corpo sem lugar
para eu estar prevenido
quando a saudade chegar.
Actor como todos nós,
poeta como poucos o foram...
Vasco de Lima Couto
rosto aberto e desejado
embora não vendas tudo
ao coração sem mercado
adianta-me o silêncio
que faz brisa ao pé do mar
para eu estar prevenido
quando o silêncio chegar
depois na feira dos olhos
que tanta poeira fazem
como quem vende bondade
às sombras da vadiagem
adianta-me a tristeza
sob as tranças do luar
para eu estar prevenido
quando a tristeza chegar
e se puseres tuas mãos
nesta varanda inquieta
de tanto ouvir a distância
das palavras do poeta
adianta-me a saudade
do teu corpo sem lugar
para eu estar prevenido
quando a saudade chegar.
Actor como todos nós,
poeta como poucos o foram...
Vasco de Lima Couto
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