Um dia a pedra fisolosofal quebrou-se
e os seus estilhaços demoraram séculos
a fazerem-se poeira...choraram todas as
outras pedras por terem perdido a sua mãe,
como se ficassem órfãs da alegria e apenas
lhes restasse a tristeza como companheira;
foi a manhã mais negra de que há memória e
quando todos pensavam que se ia gritar "adeus
tristeza, até depois" nada mais se ouviu, só
esse silêncio que fica por entre nós quando
tudo desaparece e apenas ficam pequenas pedras
por aí...perdidas...até alguém as encontrar.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Dúvidas Nocturnas
Não me respondes nestas noites
em que não te vejo e dou largas
à imaginação sem saber o que fazes
Posso dizer que não me preocupo
mas tu sabes aquilo que vai em mim
e todos os pensamentos que nascem
Tento, em vão, imaginar o que pode
acontecer e hesito por momentos, sem
saber se deva ou não pensar...
Deixo-me estar e espero que o dia nasça,
não tardará muito e as respostas todas
surgirão com o sol que volta a aparecer.
em que não te vejo e dou largas
à imaginação sem saber o que fazes
Posso dizer que não me preocupo
mas tu sabes aquilo que vai em mim
e todos os pensamentos que nascem
Tento, em vão, imaginar o que pode
acontecer e hesito por momentos, sem
saber se deva ou não pensar...
Deixo-me estar e espero que o dia nasça,
não tardará muito e as respostas todas
surgirão com o sol que volta a aparecer.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Quanto, Quanto Me Queres
Quanto, quanto me queres?- perguntaste
Olhando para mim mas distraída;
E quando nos meus olhos te encontraste,
Eu vi nos teus a luz da minha vida.
Nas tuas mãos, as minhas, apertaste.
Olhando para mim como vencida,
"...quanto, quanto..." - de novo murmuraste
E a tua boca deu-se-me rendida!
Os nossos beijos longos e anciosos,
Trocavam-se frementes! - Ah! ninguém
Sabe beijar melhor que os amorosos!
Quanto te quero?! - Eu posso lá dizer!...
- Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Botto
Olhando para mim mas distraída;
E quando nos meus olhos te encontraste,
Eu vi nos teus a luz da minha vida.
Nas tuas mãos, as minhas, apertaste.
Olhando para mim como vencida,
"...quanto, quanto..." - de novo murmuraste
E a tua boca deu-se-me rendida!
Os nossos beijos longos e anciosos,
Trocavam-se frementes! - Ah! ninguém
Sabe beijar melhor que os amorosos!
Quanto te quero?! - Eu posso lá dizer!...
- Um grande amor só se avalia bem
Depois de se perder.
António Botto
Camarim da Saudade
Fazes parte do meu espectáculo
e és um refúgio; o camarim para onde corro
sempre que o espectáculo acaba e me julgo
a pessoa mais vulgar deste mundo...
Mas junto a ti somos dama e vagabundo
encostados numa mesa qualquer a comer
estrelas com uma colher sem ver passar
o tempo
A noite não tem fim, pelo menos para
mim que não vejo o tempo a passar
e sei apenas que quando acordar
o sonho vai-se manter até eu me levantar
e o teu rosto conseguir ver
Nesse momento eu sinto-me imobilizar,
e paro em ti, a fixar esse teu olhar
onde me perco e me vou a encontrar
julgando, talvez, ao ver-te, que nunca
mais algo assim me vai acontecer
És um aplauso que tem eco em mim,
e eu ao encontrar-te perco-me assim, neste
modo de ser desencontrado, pois estando contigo
estou em todo o lado, perdendo-me para ser
encontrado
Ninguém é perfeito, e nos teus erros
eu encontro a verdade escondida por
todos aqueles que se julgam altos e não
sabem ver que a vida é uma sucessão de erros
remediáveis; também eu por vezes faço um
remendo nos teus actos, como se fossemos cenas
sem sobressaltos num palco qualquer...
Perdoei o teu erro, pois repito que ninguém
é perfeito e ainda não nasceu esse ser eleito
que virá à terra para não errar; somos humanos,
está no nosso sangue errar e talvez, de vez em quando,
acertar em algumas questões universais
Vejo-te para lá dos vitrais, como se fosses
catedral, um país que inventei (talvez Portugal)
e que desenho a cada folha que por mim passa
Esta noite perco-me contigo, e amanhã sei
que também me vou perder, pois apenas contigo
ao lado posso encontrar o caminho nunca encontrado
e descobrir novos caminhos para a Índia
Faço de ti especiaria, e a minha felicidade
não passa da alegria de amanhã saber que vais
continuar a estar aqui, e eu parado a olhar para ti
vou continuar a inventar estradas onde me possa
perder, só assim faz sentido viver...tendo caminho para
andar e nunca saber onde ir ter
Sei para onde vou, não fica longe daqui...
4680E...e sou feliz.
e és um refúgio; o camarim para onde corro
sempre que o espectáculo acaba e me julgo
a pessoa mais vulgar deste mundo...
Mas junto a ti somos dama e vagabundo
encostados numa mesa qualquer a comer
estrelas com uma colher sem ver passar
o tempo
A noite não tem fim, pelo menos para
mim que não vejo o tempo a passar
e sei apenas que quando acordar
o sonho vai-se manter até eu me levantar
e o teu rosto conseguir ver
Nesse momento eu sinto-me imobilizar,
e paro em ti, a fixar esse teu olhar
onde me perco e me vou a encontrar
julgando, talvez, ao ver-te, que nunca
mais algo assim me vai acontecer
És um aplauso que tem eco em mim,
e eu ao encontrar-te perco-me assim, neste
modo de ser desencontrado, pois estando contigo
estou em todo o lado, perdendo-me para ser
encontrado
Ninguém é perfeito, e nos teus erros
eu encontro a verdade escondida por
todos aqueles que se julgam altos e não
sabem ver que a vida é uma sucessão de erros
remediáveis; também eu por vezes faço um
remendo nos teus actos, como se fossemos cenas
sem sobressaltos num palco qualquer...
Perdoei o teu erro, pois repito que ninguém
é perfeito e ainda não nasceu esse ser eleito
que virá à terra para não errar; somos humanos,
está no nosso sangue errar e talvez, de vez em quando,
acertar em algumas questões universais
Vejo-te para lá dos vitrais, como se fosses
catedral, um país que inventei (talvez Portugal)
e que desenho a cada folha que por mim passa
Esta noite perco-me contigo, e amanhã sei
que também me vou perder, pois apenas contigo
ao lado posso encontrar o caminho nunca encontrado
e descobrir novos caminhos para a Índia
Faço de ti especiaria, e a minha felicidade
não passa da alegria de amanhã saber que vais
continuar a estar aqui, e eu parado a olhar para ti
vou continuar a inventar estradas onde me possa
perder, só assim faz sentido viver...tendo caminho para
andar e nunca saber onde ir ter
Sei para onde vou, não fica longe daqui...
4680E...e sou feliz.
domingo, 5 de abril de 2009
Puro Teatro
Só te queria dizer que estou grávida, mas tu decidiste fugir com a cadela tinhosa com que agora andas...podias ter ouvido aquilo que eu tinha para te dizer, não ia pedir-te ajuda nem nada disso, apenas queria que me ouvisses por uma vez mais na tua vida. O que eu tive de aturar por tua culpa, o que eu tive de ver e viver...apareceu-me cá a louca com que andavas, não bastava ter conhecido o teu filho (que até nem é mau rapaz, diga-se de passagem) e ainda me apareceu esta vaca acabada de sair dos anos sessenta, só lhe faltava os rolos na cabeça, de resto ela tinha tudo. Como é que podeste ter mulheres tão diferentes? Como é que consegues? Nem menciono essa feminista que andas agora a comer desalmadamente e com quem vais fugir para Estocolmo, o que é que tu viste nela? Parece uma cadela prenha, juro pela minha vida que parece. Eu não tinha nada a ver com elas...desculpa, mas é verdade! Já deves ir longe a esta hora, infelizmente tenho a televisão para me lembrar de ti a cada instante, não existiu homem que tivesse dado mais voz a anúncios do que tu, ainda parece que estás em todo o lado. Um dia tenta encontrar-te comigo, só para conheceres o teu filho, isto se o quiseres conhecer porque se não quiseres também escusas de me voltar a aparecer à frente, já bem basta o que fiz à minha casa por tua culpa, queimei o colchão, parti uma janela...da única coisa que não tiveste culpa foi da vinda da Candela, mas essa também aparece sempre sem avisar e com o dobro dos problemas que eu tenho; quem é a mulher que se mete com terroristas xiitas? Só uma louca...também agora já está nos braços do Carlos e nem se deve lembrar desse episódio. Só sobrei eu para juntar as peças todas, como se isto tudo se tivesse passado num palco, como se fossem várias cenas e fizessem puro teatro...
"Fue tu mejor actuación...destrozar mi
corazón, y hoy que me lloras de veras,
recuerdo tu simulacro. Perdona que no te
crea, me parece que es teatro.
Y acuérdate que según tu ponto de vista
yo soy la mala.
Teatro lo tu yo es puro teatro, falsedad
bien ensayada, estudiado simulacro."
A partir de "MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS" de Pedro Almodóvar
"Fue tu mejor actuación...destrozar mi
corazón, y hoy que me lloras de veras,
recuerdo tu simulacro. Perdona que no te
crea, me parece que es teatro.
Y acuérdate que según tu ponto de vista
yo soy la mala.
Teatro lo tu yo es puro teatro, falsedad
bien ensayada, estudiado simulacro."
A partir de "MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS" de Pedro Almodóvar
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Mascarada
Vi a grande mascarada
Que existe no mundo a rodos
Escondendo a cara envergonhada
Que envergamos nós todos
A nossa cara já encobrida
Pela fome de nos escondermos
Não deixando ver a própria vida
Nesses limos onde nos perdemos
Caem máscaras pelo chão
Mas mantemos a fronte erguida
Porque mesmo na perdição
Há sempre um rasto de vida.
Que existe no mundo a rodos
Escondendo a cara envergonhada
Que envergamos nós todos
A nossa cara já encobrida
Pela fome de nos escondermos
Não deixando ver a própria vida
Nesses limos onde nos perdemos
Caem máscaras pelo chão
Mas mantemos a fronte erguida
Porque mesmo na perdição
Há sempre um rasto de vida.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Quero
Quero morrer nesses braços de veludo
que já me prendem há tanto tempo...
Quero ser a amarra desse barco
que teima sempre em partir mas não desaparece...
Quero ser aquela rua pisada
que toda a gente conhece mas ninguém visita...
Quero ser a solidão parada
que têm todas as horas do alvorecer...
Quero ser a vida em movimento
que é o maior tormento que pode ter o homem...
Quero ser esse sonho
que voa por aí até alguém o atirar ao chão...
Quero ser tudo aquilo que nunca fui
para talver conseguir ser o que sou.
que já me prendem há tanto tempo...
Quero ser a amarra desse barco
que teima sempre em partir mas não desaparece...
Quero ser aquela rua pisada
que toda a gente conhece mas ninguém visita...
Quero ser a solidão parada
que têm todas as horas do alvorecer...
Quero ser a vida em movimento
que é o maior tormento que pode ter o homem...
Quero ser esse sonho
que voa por aí até alguém o atirar ao chão...
Quero ser tudo aquilo que nunca fui
para talver conseguir ser o que sou.
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