segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma revolução tem de ter sangue, se o não tiver... bem, aí temos o resultado 36 anos depois.
Uma revolução tem de ter sangue, se o não tiver... bem, aí temos o resultado 36 anos depois.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mãos Desencontradas

Na memória não me escondas
Ouve a grandeza das ondas
Que por nós foram quebradas
Naufragámos sem passado
Nesse encontro desejado
Entre as mãos desencontradas

Se a lembrança nos condena
Se por nós não vale a pena
Mais alguém ficar ausente
Sem pecado e sem demora
Esqueceremos vida fora
Tudo aquilo que é presente

Numa noite cega e fria
Quando a chuva esquece o dia
E a madrugada é constante
Junto a quem nunca perdi
Hoje sei que não esqueci
Quem de mim ficou distante.

Aldina Duarte

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quando Vieres Logo À Noite

quando vieres logo à noite
rosto aberto e desejado
embora não vendas tudo
ao coração sem mercado
adianta-me o silêncio
que faz brisa ao pé do mar
para eu estar prevenido
quando o silêncio chegar

depois na feira dos olhos
que tanta poeira fazem
como quem vende bondade
às sombras da vadiagem
adianta-me a tristeza
sob as tranças do luar
para eu estar prevenido
quando a tristeza chegar

e se puseres tuas mãos
nesta varanda inquieta
de tanto ouvir a distância
das palavras do poeta
adianta-me a saudade
do teu corpo sem lugar
para eu estar prevenido
quando a saudade chegar.

Actor como todos nós,
poeta como poucos o foram...
Vasco de Lima Couto

sábado, 20 de novembro de 2010

Corro Para Um Tempo

Corro para um tempo que já não é meu
Corro para uma vida que não sei contar
Perdeu-se tudo aquilo que morreu
Nas cinzas de um fogo por atear

Corro para a viela mais sombria
Para um amanhecer que nunca vem
E morro entre as grades com que a alegria
Cercou a minha alma, feita desdém

Corro para as memórias já vencidas
Para um tempo de futuro iluminado
E encontro a minha vida entre as vidas
Que construíram este meu fado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Motivo de Fado

fala-me da hora
d'outrora
que eu perdi a viagem
não sei onde deixei
aquilo que amei
a minha bagagem

diz-me qual a direcção
diz-me por onde seguir
porque eu estou perdido
no meu sentido não há
direcção por onde ir

perdi a rota do coração
e sei lá onde vou dar
não aprendi a lição
e não me sei encontrar

perdi toda a minha saudade
também ela anda perdida
procuramo-nos na cidade
mas nem encontramos a vida

andamos os dois
num destino desencontrado
e o que virá depois
é talvez um motivo para fado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Olhar Malicioso

Passa por mim na rua do esquecimento
E tenta que eu não encontre os teus passos
Porque aquele que é o meu maior tormento
Nasceu no fogo quente dos teus abraços

Quero esquecer que um dia, o teu corpo
Foi para mim a praia mais desejada
Antes tivesse sentido o tempo morto
A beijar-me na hora mais calada

Preferia o velho beijo que a morte
Guarda quando nos vem buscar,
Do que estar entregue à triste sorte
Do teu malicioso e lindo olhar

Deixa-me na lembrança pouco mais que nada
Deixa-me no esquecimento aquilo que eu esqueci
E diz-me que a nossa vida não foi quebrada
Por causa de tudo aquilo que não vivi.